Museu Histórico-cultural de Delfim Moreira
No
que concerne às especificidades da preservação do patrimônio cultural em Delfim
Moreira, observa-se que cidade é desprovida de museu ou outra instituição
similar que possa exercer a salvaguarda de bens culturais identificados como de
valor para a preservação das memórias locais. Portanto esta iniciativa se
justifica na medida em que permitirá a criação do próprio espaço do Museu, atendendo
aos anseios dos educadores, agentes culturais e de parte da comunidade que já
manifesta interesse pelo assunto.
A
elaboração deste projeto acontece como mais uma etapa de um longo processo que se
desenvolve em Delfim desde 2007, quando a Estação Ferroviária Central
(desativada) foi inventariada e indicada pelo Conselho de Patrimônio como o
primeiro bem imóvel a ser tombado pelo município. Trata-se de um valioso bem, testemunha da história local e regional, obra
de inestimável valor para os delfinenses. Através do Decreto Municipal nº 3.285/2008
de 06 de março de 2008, o edifício foi tombado por seu valor histórico,
arquitetônico e artístico. Em seguida foram iniciados os investimentos para a recuperação
do espaço através da elaboração do projeto de restauração da edificação. Já em
2009, mais um passo foi dado quando o projeto para Reforma e Revitalização da
Estação foi contemplado pelo FEC/MG (Fundo Estadual de Cultura de Minas
Gerais).
Interessa destacar que as equipes da Secretaria de Educação e
da Secretaria de Turismo não se preocuparam apenas em resolver a questão da
integridade física do imóvel. Com a demanda pelo espaço para o desejado projeto
de implantação do Museu, foi trabalhado paralelamente um projeto de educação
patrimonial intitulado: “Identificação e preservação do acervo
cultural de bens móveis de Delfim Moreira”. Para
desenvolver na comunidade um projeto museológico que viabilizasse um exercício
de educação patrimonial, foi proposto um processo participativo para a
“pré-formação” deste acervo cultural. Com atividades que se estenderam por todo
o ano de 2009, o projeto permitiu uma integração do exercício museológico à
dinâmica das escolas, com a criação de novas mediações entre educador e
educando.
Um dos objetivos do
projeto era realizar um levantamento dos bens móveis de propriedade particular
e pública delfinense; catalogar, descrever e mapear este acervo, tais como:
fotos e documentos antigos, cartas, mobiliários, imagens, vestuários, objetos
utilitários, obras de arte, instrumentos musicais, ferramentas de trabalho etc.
Para tanto, os alunos, acompanhados dos professores, foram divididos em grupos
e percorreram o distrito sede, os bairros e povoados rurais. Depois do
levantamento de campo, todas as fotos foram arquivadas nos computadores da
Secretaria de Educação e organizadas em pastas, criando-se assim, um Banco de
Imagens. Em seguida, os alunos partiram para uma pesquisa complementar sobre os
bens identificados, realizando um exercício de “Leitura do Objeto”. Os
resultados foram desenhos, textos e o próprio preenchimento da Ficha de
Inventário. Ao todo foram identificados 345 bens móveis em diversas
localidades do município de Delfim Moreira.
Para maior
compreensão do processo, cabe ainda
destacar que o bem sucedido projeto culminou na exposição temporária: “Perdidos
e Achados das Memórias de Delfim”. A Exposição teve a finalidade de
compartilhar com a comunidade os resultados do inventário de bens móveis de
Delfim Moreira. Dos 345 bens inventariados foram selecionados 138 para essa
exposição, indicados pelos próprios professores e agrupados em 7 temas
diferentes.
Uma parte do acervo pertence ao próprio município e encontra-se
resguardado provisoriamente na sede da Secretaria de Turismo. Outros objetos
utilizados na exposição foram solicitados aos respectivos proprietários
mediante um Termo de Responsabilidade que atestava o empréstimo voluntário e a
responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação e das Escolas pela guarda
e devolução dos bens. Após a exposição, muitos dos proprietários manifestaram
sua vontade de doar objetos ao futuro museu.
Existe uma grande expectativa de que o
projeto da implantação do museu de concretize, tanto por parte dos agentes
culturais, tanto pela comunidade. As ações de educação patrimonial terão
continuidade e a busca por recursos e convênios justifica-se também nesse
sentido.
Benefícios a serem
produzidos após a implantação do projeto
1 –
Culturais
O
espaço do Museu será indutor de atividades educativas e de pesquisa, um espaço
de referência na região. Proporcionará mais estímulos à preservação e resgate
da memória delfinense, reconstituição da sua história e valorização do
Patrimônio Cultural local. A proposta
é construir uma memória coletiva pautada pelo respeito à alteridade. Recorrendo
às definições que nos traz Aída Ferrari:
O conceito do museu, hoje,
implica atuação e função sociais, que são antes de tudo educacionais. O museu
deve ser entendido e usufruído como espaço de veiculação, produção e divulgação
dos conhecimentos, onde o contato com o objeto-realidade cultural indique
outros referenciais que nos ajudem a desvendar o mundo em que vivemos. [1]
A fala de Ferrari é interpretada como um endosso à
idéia de que o museu pode estar em consonância com as dinâmicas sociais pelas
quais passam a sociedade. Isto é, o museu é um ambiente voltado para as
atividades educacionais.
2 – Sociais
A
participação de estudantes e comunidade na compreensão e crítica dos objetos
que vão compor o museu continuará como uma das principais características do
projeto. Será realizado um esforço de democratização, na medida em que haverá a
composição do acervo a partir de bens que se encontram hoje sob guarda
particular. Tal temática deverá ser integrada aos conteúdos curriculares das
escolas públicas, trazendo os alunos para os debates, de modo que, orientados
pelos professores, sejam os agentes de mobilização e organização inicial de
outras exposições itinerantes. Acredita-se também, que o resultado prático,
quantitativo e qualitativo deste projeto seja um fator de motivação desses
“agentes”, e instrumento de aplicabilidade dos conteúdos ministrados pelos
docentes, principalmente para aqueles que já participaram das atividades de
educação patrimonial preliminares. Pretende-se elevar a autoestima dos
delfinenses a partir de tais ações.
3 – Econômicos-
Situado
no Sul de Minas Gerais, divisa com o estado de São Paulo, o município de Delfim
Moreira é privilegiado pela paisagem natural da região. O clima é extremamente
agradável no verão e em muitos invernos a temperatura chega perto de zero grau
Celsius. A proximidade das capitais do Rio de Janeiro e São Paulo acarreta a
presença de um número significativo de turistas à procura das atrações naturais
que Delfim oferece. Porém, os atrativos culturais são mínimos e funcionam
precariamente. O Museu Histórico Cultural de Delfim Moreira funcionaria como um
atrativo cultural tanto para os visitantes do município quanto da região
(Delfim integra o Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas). Dessa forma é
previsto um aquecimento do comércio local em função do turismo de visitação do
museu e de alguns empregos diretos e indiretos a serem gerados.
Objetivo do Museu:
Fazer
um museu da população para a população: ser uma instituição aberta, que além de exercer a salvaguarda dos bens
culturais identificados como de valor para a preservação da memória e do
patrimônio cultural local, também fomente as relações e reflexões entre pessoas.
Um espaço onde seja discutida a cultura e produção artística contemporânea de
Delfim e da região. Atuará em três campos distintos e
complementares: a preservação, a pesquisa e a comunicação.
Uma
das primeiras providências a ser tomada é a constituição legal do Museu e sua
regulamentação através de um Regimento Interno. Num primeiro momento o Museu
será gerido por recursos do próprio orçamento municipal, contando especialmente
com os recursos provenientes do ICMS Cultural. Foi criado o Fundo Municipal de
Cultura em Delfim e regulamentado pelo Decreto nº 3372 de 09 de dezembro de
2009. No primeiro ano de funcionamento do Museu, um profissional do município
deve ser capacitado visando a especialização em planejamento, captação e gerenciamento de recursos. A partir daí, com o
conhecimento da metodologia específica, serão criadas diferentes categorias de
doação e patrocínio, atendendo a interesses de empresas de portes diversos.
Através do próprio site do Museu poderão ser realizadas doações e, enfim, o
envolvimento da comunidade será crucial para a resolução de eventuais problemas
e distribuição de tarefas. Serão criados programas com estagiários das
Universidades da região e da Fundação Roge (com sede no próprio município).
Em 2010 a secretaria Municipal de Educação fez a
inscrição neste Edital, o qual entre 10 projetos no Brasil o de Delfim Moreira
foi aprovado. Em 2011 foi cadastrado no SICONV e elaborado um Plano de Trabalho
e Termo de Referência com as justificativas de cada item do plano para que os
recursos fossem liberados.
Em janeiro de 2012 os recursos foram liberados e encontram-se
aplicados. Desde então estamos organizando o processo de licitação de acordo
com cada meta e etapa do projeto. São elas: Elaboração de Plano Museológico,
elaboração de oficinas de educação Patrimonial voltadas para a implantação do
Museu, Sistemas de segurança do Museu, Projeto iluminotécnico e expográfico,aquisição
de equipamentos e mobiliários do museu, projeto gráfico das peças do museu,
Plano de comunicação e projeto gráfico das peças e marca do museu, criação do
website do museu.
Enfim parece simples, mas a execução do Projeto é
bem burocrática e exige muita atenção e dedicação. Além disso, estamos
elaborando o Projeto de Lei de implantação do Museu objetivando a sua
constituição legal e prevendo sua regulamentação.
O prazo para execução é até 31/12/2012. A pretensão
é a inauguração no Aniversário da cidade no dia 17 de dezembro.
A responsável pelo Plano Museológico,marca do museu,projeto
expográfico e iluminotécnico é Célia Corsino, museóloga de notório saber na implantação
de diversos museus pelo país.
[1] FERRARI. O museu e a educação
patrimonial. In: Reflexões e
contribuições para a educação patrimonial, p.122.
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